Desvarios

SEM METAS DE ANO NOVO PORÉM COM NOVIDADES

Gente, fiquei ensaiando vários começos pra esse texto, mas apaguei tudo pra ser bem direta: VAMOS TER NOSSA CASINHA! YAY!
Tô me sentindo bem mal porque a intenção era começar o meu canal no Youtube falando desse tema, mas quem disse que a correria deixou? Desde a última postagem do blog tanta coisa mudou na minha vida. Mudei de emprego, de cidade, minha mãe também se mudou, enfim... Quando me dei conta, a mudança já tinha começado!

Por ser o primeiro texto de 2017, talvez eu fale demais [quase nunca acontece, né], mas a verdade é que, independente das outras áreas, há três meses eu só consigo pensar no nosso cantinho. No nosso caso, estamos reformando pra poder mudar e isso tá detonando o meu psicológico! Hahaha. São tantos gastos, tantos problemas que aparecem no cotidiano da obra que eu tava até sem ânimo pra fazer algo além de dormir. Pra ajudar, como se não bastasse deixarmos todo nosso salário na casinha, ainda fomos assaltados! Entraram no nosso futuro lar neste último final de semana e levaram algumas coisas que tínhamos acabado de comprar... Vocês não tem noção do quanto foi doído! Por mais que os objetos roubados não sejam dos mais caros, nós estamos com o dinheiro contadinho e comprar tudo outra vez realmente vai ser tenso. Mas deixa pra lá, já passou, estamos aqui pra falar de coisa boa! 

Como futura arquiteta, esse tema tá mexendo muito comigo e me rendendo muitas ideias. Como disse, a intenção é começar logo o canal pra poder mostrar a evolução [o final, na verdade] da reforma antes que seja tarde e ela fique pronta. Eu sei que esse assunto interessa muita gente e, além disso, como não estamos podendo gastar, conseguimos encontrar opções e soluções muito baratas que, com toda certeza, seriam úteis pra muita gente. De todo modo, enquanto os vídeos não saem, faço questão de ir compartilhando tudo por aqui!

É provável que vocês notem algumas mudanças no blog [além do novo layout lindo e divo, é claro!], porque esse final de ano me fez pensar muitas coisas... Nos últimos meses, eu estava me culpando muito pela minha falta de dedicação e, por isso, decidi parar pra pensar no porquê disso estar acontecendo. O resultado da reflexão não foi nenhuma novidade: mais uma vez, eu estava me cobrando demais. Eu tenho uma mania [ou seria uma desculpa?] de querer fazer tudo do modo mais perfeito que houver e, enquanto não me sinto preparada ou tenho condições ideais pra isso, fico postergando. O nome disso é autossabotagem e eu já falei disso AQUI. Considerando que eu sei de cor e salteado o tanto que já me lasquei por causa dessa peste, decidi que 2017 seria realmente diferente. E comecei logo pelo blog, porque percebi que eu só tinha vontade de postar alguma coisa se o post fosse algo atraente para o público e tivesse potencial para ser um sucesso, o que é muito errado, afinal, antes de mais nada, isso aqui é algo que eu gosto, e coisas que gostamos existem pra deixar a gente feliz, não é mesmo? Sendo assim, não estranhem se eu me soltar e falar demais por aqui: ESSA É A INTENÇÃO! 

Uma outra novidade é que fui selecionada pra escrever no Desocupada é a Mãe?, blog da lindona Gleici Duarte, rainha das ruivas. Lá eu vou falar sobre comportamento e, fora isso, existem milhares de assuntos interessantes, inclusive cabelos, outra coisa que eu também quero me dedicar mais nesse 2017 véi doido de guerra! Aguardamos sua visita, um blog com meio milhão de acessos não passa todo dia na sua timeline, né nom? Agora, voltando pro lado humilde da força, segue abaixo a surra de categorias novas que o blog [e o canal, amém] vão ganhar:


  • FAÇA VOCÊ MESMO | DIY
  • NOIVADO | CASAMENTO
  • WISHLIST
  • CABELOS
  • DICAS BARATINHAS
  • FILMES | SÉRIES | LIVROS
  • DIETA | SAÚDE
  • E AFINS [sempre achei 'afins' mais chique do que 'etc']


P.S.: Alguém, por favor, me tire uma dúvida: eu sou meio LOKAMEMO® ou todo mundo que vai no supermercado fica quarenta minutos na parte de utilidades domésticas? É normal achar que se você não tiver AQUELE PRATO você não vai ser feliz? Durmam com essa, porque eu já tô até sonhando com tapaué de vrido... E daquelas caras, que a gente faz consórcio pra comprar, sabe? Hahahahaha.

F E L I Z   2 0 1 7!
Desvarios

ONTEM FOI MEU ANIVERSÁRIO E EU CHOREI



Ontem foi meu aniversário e eu tô sem WhatsApp. Meu noivo me contou que um tio que eu gosto muito (e que é tão ríspido como eu) me mandou parabéns no grupo da família. Eu não tô falando com ele há um bom tempo. Nem com a minha mãe. Nem com a minha ex-melhor amiga. E, ao constatar isso, além de muitas outras coisas, eu chorei. E chorei mais ainda por querer tentar esconder que, sim, pessoas, apesar de ter meus motivos e não desmerecê-los, eu sinto falta de vocês e de muitos outros também, e odeio com todas as minhas forças ter me tornado esse alguém que acha o orgulho mais confortável do que as vossas companhias.

Chorei por que tenho tanta coisa guardada que está sendo quase impossível distribuir tudo isso em linhas. Publiquei esses dias na minha timeline - já prevendo a surra de tédio que meu dia seria - que você percebe que cresceu quando o fato de seu aniversário estar chegando não é capaz de te fazer esquecer os problemas nem de deixar seu dia melhor. E realmente tive razão: meu querido dia 26, esse ano você falhou.

Você percebe que seu aniversário deu errado quando ele cai numa segunda-feira, seis dias depois do término das suas férias. Quando você tenta ser fitness fritando o bife na grill e, por alguma razão do universo, ela resolve não ligar. Quando você abre o facebook e encontra 50 publicações na sua linha do tempo, sem nenhuma foto zoada com legenda especial. E aí você resolve conferir as lembranças, talvez pra se sentir menos vazia enquanto lê as publicações antigas.

Chorei por que, pela primeira vez na vida, passei meu aniversário praticamente sozinha. Dividi o único bife temperado que tinha na geladeira com o Bud, meu cachorro, que, também pela primeira vez, me deixou abraçá-lo sem rosnar. Acho que ele percebeu o que eu queria.

Tinha pão de hambúrguer no microondas mas eu troquei por um de aveia, por que ninguém te conta que, quando você cresce, você precisa se forçar a escolher entre comer carboidrato ou ganhar uma nova estria. E eu ficaria feliz se fizesse essas escolhas todos os dias por que essas nem são ruins, mas a verdade é que eu precisei olhar pro meu corpo e ver um mapa de bacias hidrográficas pra conseguir engolir a tal da linhaça dourada. E eu chorei de novo por não conseguir lembrar quando foi que eu me abandonei. 

Você percebe que cresceu e que, ao invés de ganhar, perdeu muito da vida, quando os velhos amigos ficaram no passado, junto com as memórias igualmente velhas. Apesar de não mais enxergar nessas pessoas o mesmo ombro amigo, algum pedaço do seu eu sente falta de quem você era quando estava com quem eles foram um dia. E minha intenção não é insinuar que se tornaram pessoas ruins... Elas só não são mais as mesmas. E tudo bem a gente sentir saudade, por que essa é a única opção que o passar do tempo nos deixa.

Depois de alguns anos, o Bob Esponja passa a te irritar e o Lula Molusco começa a fazer mais sentido. A bagunça no ônibus começa a te incomodar. Você aprende a obedecer sua avó e entende que é realmente importante colocar suas pernas pra cima no final do dia. Sua médica te receita vitamina C por que descobriu que seus ovários, assim como o resto do corpo, andam preguiçosos e isso é preocupante já que, agora, você precisa aprender a lidar com planos mais adultos, como, por exemplo, pôr um filho no mundo um dia.

Seu aniversário deixa de ser uma data comemorativa quando você finalmente entende que não falamos mais de presentes por que sempre foi sobre expectativas. Envelhecer não é uma fatalidade, mas as coisas que você deixa pra trás, sim. As tardes na sorveteria são interrompidas pela realidade estressante do trabalho - palavrinha que parecia novidade aos quinze anos e, hoje, é responsável por roubar sua sanidade. E todos os meses você entrega um combo contendo cento e sessenta horas da sua vida mais uma legião de neurônios do seu cérebro em troca de um salário bem dos baixos que já não é mais usado pra pagar festas e luxos: agora você paga boletos, compra terrenos e já se sente amiga íntima do famoso crediário.

Apesar das linhas finas já terem dado o ar da graça e de você já ter aprendido que creme anti-idade não custa caro à toa, você se depara com o momento mais difícil da sua juventude: entender que, para alcançar sonhos de adultos, você precisa agir como um. Nessa hora, você se questiona porque o conto do Peter Pan não virou um best-seller. Depois desse grandioso passo, você entende por que crescer é realmente uma droga: crianças não financiam casas, não trabalham o dia todo usando um jeans que aperta até o útero, nem tem a porra de um artigo científico pra entregar na semana do seu aniversário.

Elas tomam xarope de cereja enquanto nós, adultos, dissolvemos a droga do remédio de 500 mg na água pra ficar um pouco mais fácil de engolir. E, ah, se engolíssemos só remédios... Adultos são pessoas cansadas, como eu, que reclamam o tempo todo. E não ouse desmerecer os meus vinte e três anos dizendo que não sei nada sobre a vida, nem pense em caçoar da minha inocência dizendo: "você ainda não viu nada!". Por que, coleguinha, ontem foi meu aniversário. E eu chorei. Mas não foi por causa do escuro na hora do parabéns, até por que nem bolo teve. 

Eu chorei por que ser adulto dói.
E, quando aperta, a gente volta a ter doze anos.
A gente lembra que só queria colo...
Ou enrolar uns brigadeiros ao invés de marcar o exame de tireoide.

E juro que estava deprimida, carente, solitária, e que a minha única intenção era cagar pro mundo e mandar o otimismo ir tomar no rego... Até eu me lembrar de que a vida, meus amigos, é igualzinha ao meu cachorro. Você divide o único bife do almoço do seu aniversário com ele, e ele te agradece trepando com a sua perna. Mas, cinco minutos depois, você sente um focinho gelado dormindo em cima do seu pé inchado.
Destaque

O LOOK DA GORDA


Hoje, uma página do facebook que fala sobre moda postou a foto de uma mulher plus size  aparentemente muito bem resolvida, diga-se de passagem  que exibia suas fabulosas curvas em um vestido branco, colado e cheio de transparência, refutando todos os preocupados e sinceros "conselhos" dados à nós, gordas, pelo incrível e segregador mundo da moda.

Pra ser sincera, quando olhei a imagem, a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma Kardashian: corpo generosamente curvilíneo, vestido grudado, postura segura e imponente. Estereótipos estão sempre impregnados. Depois, observei a sandália, cujo tom era um nude maravilhosamente coringa, acompanhada de uma bolsa em tons de azuis estonteantes. Por último, confesso, notei uma barriguinha. A pochete, tão temida e famigerada, estava lá. Mas diante de um mulherão daqueles, com cabelo e postura tão sensacionais, que teve a coragem de vestir uma peça que provavelmente seria julgada como imprópria pelos milhares de críticos e juízes do corpo alheio, e que, como se não bastasse o fato de ser dona de si, ainda era dona de um senso estético inquestionável, eu jamais deixaria que meu foco fosse a existência de gordura na barriga dela. Desculpa, mas eu optei por não ser fútil.

Eu não sei se a cartela de cores elegida por ela foi realmente a melhor escolha ou se a bolsa carteira combina de fato com o estilo do look porque nenhuma dessas convenções importam pra mim. Quando vi a foto, a única coisa que consegui enxergar foi uma mulher forte, totalmente satisfeita consigo mesma, que não estava nem aí pra existência daquela barriguinha. Ela é gorda, não é cega e com certeza notou a saliência que havia ali. E que bom que não deixou de usar uma peça que gostou, nem abriu mão de posar pra uma foto libertadora de look do dia só por causa de um pedacinho do seu corpo que ficou em evidência. Porque é isso que a barriga é, um pedaço da gente. Gente que tem sentimentos, preferências e todo direito do mundo de andar por aí como bem entender. Porém, diferente de mim, alguns comentários distribuíam repulsa totalmente de graça. Um deles dizia: "acho feio gordas que tem barriga assim com vestido colado... não rola não".

Minha querida, uma mulher que enfrenta todo dia a pressão por não pertencer a um padrão tido como adequado e que tem coragem suficiente pra mandar esse mesmo padrão pro espaço, com certeza está mais preocupada com o novo vestido branco e muito mais ousado que comprará na próxima ida ao shopping do que com seu pobre e vazio julgamento. Se você achou tão feio a ponto de ter que comentar e mostrar pro mundo a sua indignação, é muito fácil resolver: feche seus olhos ou role seu feed. O que não rola é o seu preconceito. Nós vivemos em um país livre. O Facebook, como toda rede social, permite que qualquer pessoa dê sua opinião – feliz ou infeliz – sobre qualquer assunto. Não há ditadura nem censura que te impeça de falar. Mas, pelo amor da empatia, filtre esse seu coraçãozinho. São por comentários como o seu que, todo santo dia, milhares de mulheres se escondem embaixo de três quilos de pano ou deixam de ir a praia curtir com a família. Você provavelmente acha que isso é desleixo ou preguiça, assim como a maioria das pessoas, que julga o próximo sem o conhecer. Mas, independente da verdade, o mundo está tão cruel por causa de pessoas como você, que optam por denegrir ao invés de estimular, que se julgam superiores por alguns quilos a menos. Você não tem culpa por ela ser gorda, mas essa pequenez, sim, é culpa sua.

As pessoas têm a péssima mania de pensar que gordas não têm bom senso. Ficam revoltadas quando as veem usando croppeds ou shorts que evidenciem suas coxas extremamente grossas. Lançam seu olhar de reprovação como se a pessoa tivesse o dever de saber que aquilo ali não está agradando os olhos de quem vê. Desculpa te decepcionar, mas você já pensou na hipótese de que talvez ela não esteja se vestindo para os outros? Talvez a falta de noção que você tanto julga não passe de um exercício diário de empoderamento para que, quem sabe assim, nós, gordas, soframos um pouco menos por causa de pessoas que se sentem no direito de julgar o que nós podemos ou não usar. Talvez a sua indignação esteja mascarando um comportamento feio que você alimentou e, consequentemente, apodreceu aí dentro do seu peito. Comportamento esse compartilhado por milhares de pessoas que ainda não aprenderam a importância de se colocar no lugar do outro, assim como aquelas que curtiram o seu comentário. Mulheres que falam de Deus, de amor, de feminismo, mas que não são capazes de enxergar sua própria intolerância.

Os corpos das gordas, dos magros, dos negros, dos pobres, não deviam te incomodar tanto assim. Esqueça o peso dos outros e foque na sua dieta: corte o seu preconceito e tome um detox pra alma. Assim, além de leve, você viverá mais feliz.
COPYRIGHT © 2016 · Desvairadas · design BY egos